O livro sagrado diz que a vinda do anti-Cristo será precedida de acontecimentos cataclísmicos. As trombetas do apocalipse soarão, o dia virará noite, as estrelas sumirão do firmamento, o Flamengo será campeão brasileiro e tudo mais.
Nas últimas semanas, o mundo tem acompanhado uma série de sucessivos fatos que não são propriamente cataclísmicos: Zé Dirceu pede anistia, Alemão é eleito o coitadinho do BBB, Britney Spears ensina o mundo como transformar um sex symbol (contestável, ok) em tribufu de asa em 2 lições, Ilsinho é convocado pra seleção... Aí fica a pergunta: que tipo de desastre acompanharia acontecimentos tão patéticos?
Pinky e Cérebro estiveram reunidos há uma semana em São Paulo para discutirem política internacional. Cérebro não precisa mais conquistar o mundo, ele já preside a principal potêncial bélico-econômica do planeta - o que não o impede de continuar sendo o completo imbecil de sempre. Pinky, mais modesto, aceitou um simpático país de terceiro mundo.
O fato é que velhos amigos se reuniram para conversarem amenidades e nos brindar com as velhas merdas de sempre. A principal delas, partiu de Pinky. Em tempos de preocupações ambientais renovadas e dos sempre atentos olhares para a nossa Floresta Claudiohânica - digo Amazônica - nosso nobre Presidente, ao analisar as posições de Brasil e EuA nessa sacanagem internacional, espalha aos 4 ventos que é preciso que os dois países encontrem o Ponto G da relação para que então possam caminhar em consonância de idéias - ou para o lance rolar gostoso, aprofundando a analogia usada pelo nosso presidente.
O Ponto de Gräfenberg é, teoricamente, uma região do canal vaginal a qual, uma vez atingida e estimulada, conduz a mulher a uma onda de incomensurável prazer. Algo somente comparável (para ela) a uma hipotética situação na qual ela estaria num oasis de grifes internacionais de ponta (Gucci, Versacci, Rauph Loren, Victoria's Secret, Louis Vuitton...), não com ticket ilimitado - porque nós sabemos que seu maior prazer não está no consumo, mas no gasto em si – mas como o prêmio da mega sena disponível para compras.
Analisando somente este trecho, interpretamos que o que Pinky quer é uma relação que seja prazerosa/proveitosa para ambas as partes, não somente um gozo parcial. Uma vez encontrado esse ponto, a harmonia estaria estabelecida. Essa colocação vai do lamentável ao risível e me faz perguntar a mim mesmo quem foi o miserável que tirou o Duda Mendonça do lado do presidente. Nos tempos de briga de galo, ele não falava tanta merda, em analogias tão pueris e descabidas.
Por outro lado novos contornos são evidenciados quando analisamos todo o contexto da mensagem e nos damos conta de que o Ponto G ainda é uma teoria controversa, é algo não cientificamente comprovado e que, portanto, é uma região que pode, inclusive, não existir. Peraí... quer dizer que nosso presidente, com histórico vermelho, passado sindicalista e anti-americano em essência, pode estar aprofundando em vários níveis sua metáfora, apontando para um ponto de concordância que não existe? Estaria ele dizendo em outras palavras que tal harmonia é paradoxal em essência? Estaria ele sustentando seu discurso sobre uma analogia que poucos líderes internacionais alcançariam – o que, evidentemente, não é o caso do limitado George W. Bush?! De quem é esse texto? Quem pensou isso para o nosso presidente?
Porque, vamos combinar, imaginar que ele chegou ao ponto de escrever algo com tamanha profundidade já é querer demais, né não? Bom, meu amigo, aí é mais fácil acreditar na hipótese 1 e chamar o Duda de volta, ou, quem sabe, começar o meu próprio plano de conquistar o mundo.
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Friday, March 16, 2007
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